SAMBA. . . Sua paixão pelo samba resultou em mais dois lançamentos do selo Phonomotor em 2002: os discos solos de estréia de Argemiro Patrocínio e Seu Jorge do Cavaquinho, dois lendários sambistas da Velha Guarda da Portela que, apesar de estarem na faixa dos 80 anos, nunca tinham lançado trabalhos individuais. Marisa se encarregou da produção do álbum de Argemiro.
MÚSICA
Desde o lançamento de "Barulhinho bom”, Marisa fez shows, produziu o disco “Omelete man”, de Carlinhos Brown, uma faixa de "Café Atlântico”, de Cesaria Evora, participou de diversos projetos, lançou seu selo, o Phonomotor, produziu o CD "Tudo azul”, da Velha Guarda da Portela. Em 2000, lançou "Memórias, crônicas e declarações de amor", disco que já vendeu mais de um milhão de cópias (Disco de Diamante) e lhe rendeu diversos prêmios: Grammy Latino 2001 de melhor álbum pop contemporâneo brasileiro, VMB 2000 e 2001 de melhor videoclipe de MPB (por “Amor I love you” e “O que me importa”, respectivamente) e Prêmio Multishow 2001 de melhor CD, dentre outros.
COMPOSITORA . . . Na memória mais distante, Marisa conta que começou a compor ainda criança, fazendo músicas para seu teatro de marionetes, em casa. Músicas criadas entre seus 15 e 16 anos estão guardadas até hoje. “Blanco”, feita a partir de um poema de Octavio Paz, foi criada nessa época e terminou sendo gravada. "O Nelsinho falava: ’Você vai ser uma grande compositora’", conta ela. “Composições completas, com letra, tudo, tenho desde antes da viagem para a Itália.”
CANTO . . . Marisa não lembra há quanto tempo canta. Sabe-se que, aos 14 anos, começou a estudar canto lírico. Antes disso, tinha participado de uma montagem teatral no Colégio Andrews (“Rock Horror Show”), fez shows pop com amigos (no circuito carioca do Viro do Ipiranga/ Manga Rosa/ Robin Hood/ Jazzmania/ Double Dose etc), gravou fitas demo, foi backing da banda Laranja da Terra (rock), não perdeu um show da fase áurea do Morro da Urca (Blitz, Ritce, Lobão, Lul Santos et al). Já gostando de Maria Callas, de Bllie Holiday, Marisa era parte da geração que assistiu ao nascimento do BRock. Fez vestibular para a Escola Nacional de Música, com prova de habilidade específica e tudo. “O estudo clássico, para mim, era uma maneira de exercitar afinação, respiração, extensão etc. Era a única técnica disponível.”
PAI . . . Carlos Monte, pai de Marisa, foi um dos diretores da Portela no começo dos anos 70. Hoje, no Portelão, o nome dele está numa placa de bronze na parede. “Está escrito: ‘Homenagem aos portelenses que ajudaram a construir o Portelão’. Aí, tem uma relação de nomes, o dele está lá”, conta ela.
CONVITE . . . Enquanto fazia o circuito da noite carioca do comecinho dos anos 80, atuando em diferentes papéis na cena pop, Marisa chegou a chamar a atenção da indústria. Aos 16 anos, ela recebeu um convite de Roberto Menescal, então diretor artístico da PolyGram, para gravar o que poderia ter sido seu primeiro disco. Ela recusou, não só por achar que ainda não tinha um trabalho para registrar como também por já ter decidido estudar canto na Itália. BIJOUX . . . Sócia do artista plástico Jeff Svoboda, Marisa foi dona de uma confecção de acessórios femininos. Fazia bolsas, cintos, agendas e demais adereços de couro; fazia prendedores de cabelo, brincos e anéis com materiais tão prosaicos quanto fusíveis, velhos botões de casacos de brechó e olhos de bichos de pelúcia. A empresa, que funcionava numa sala alugada na Lapa, no Rio, vizinha de travestis, deu certo. Sobreviveu até ao Plano Cruzado. “Inventávamos as peças e levávamos o mostruário a lugares como a Company, a Yes Brazil, e eles compravam tipo ‘duzentos deste, trezentos daquele’. O custo era baixíssimo, tanto que vendíamos com uma margem absurda e ainda assim era muito barato”. A empresa nunca teve nome e acabou quando ela começou a cantar a sério. Marisa usa algumas das peças que criou até hoje.
MÃE . . . "Aprendi a costurar cedo, e minha mãe sempre me dava o que fazer em casa, coisas para dar de presente no Natal, assim”. Numa casa cheia de mulheres (além das irmãs Marisa, Letícia e Lívia, havia empregadas, parentes etc), os chamados “dotes femininos” eram cultivados e passados à frente cuidado. E não só isso: Letícia estudava piano, Marisa, canto. “Um dia, a professora de canto, Dona Alda, chamou minha mãe e disse: ‘Os espíritas podem explicar isso, eu não’”. Foi Sílvia que deu a Marisa seu primeiro instrumento musical, uma bateria, quando ela tinha 9 anos. E ela aprendeu ritmos tão variados quanto fox e baião com o professor Sut Chagas.